Entrevista de Pedro Ferrer no Jornal o Dia 20/11/09
Escrito por Guilherme    Qui, 26 de Novembro de 2009 22:41    PDF Imprimir E-mail

 

20.11.09  Jornal O Dia

 

POR THALES SOARES

 

Pedrinho do Basquete: 'Prata da casa

tem total prioridade sobre qualquer

 nome'

Rio - Engenheiro de formação, Pedro Ferrer dedicou sua vida ao esporte, ficou conhecido no Flamengo como Pedrinho do Basquete e se candidatou à presidência do clube pela primeira vez este ano. Aos 60 de idade, ele se vangloria de ter defendido apenas o Manto Sagrado em sua vida de esportista, além de ter participado do vice-campeonato mundial de 1970 com a seleção brasileira. Pedrinho pauta a campanha no cumprimento do orçamento, promete manter Andrade e conta com o poder da Nação rubro-negra para que Adriano fique no clube.

 

O Dia - O que fazer para amenizar ou acabar com a dívida de R$ 350 milhões?

Pedrinho: Quando o Marcio Braga apresentou essa nova versão da dívida, a gente ficou surpreso, tendo em vista que há dois anos ele não conseguiu fazer o levantamento da dívida e supôs que era de R$ 200 milhões para entrar na Timemania. Mas vamos falar da solução. O Flamengo não tem ideia se já pagou parte da dívida ou não pagou, o que está em aberto, qual o prazo para refinanciar a dívida, com isso pode ter abatimento real das multas. Somos a única chapa que protocolou um documento sobre essa nova lei de incentivo fiscal e não vimos a movimentação de mais ninguém. Quando chegarmos a um número e começarmos a cumprir o orçamento, gastando menos do que arrecadamos, haverá um percentual para amortizar a dívida. O montante não preocupa, mas, sim, o crescimento constante dessa dívida.

Como vai ser o departamento de futebol do clube?

O futebol tem autonomia para fazer qualquer tipo de despesa dentro do valor orçado, um orçamento real, dentro de uma realidade das receitas, como manda o estatuto. Assim, podemos ter um time de acordo com as tradições do Flamengo, com um plantel enxuto, sem jogadores que não deveriam estar no clube. Quem tem que escolher os jogadores é o técnico , o dirigente tem que fazer funcionar, com um diretor e um supervisor que não tem o comando total do futebol. Já temos um nome para comandar o departamento e no momento oportuno vamos divulgar. As contas estarão disponíveis na Internet, onde será possível acompanhar receita e despesa, os contratos dos jogadores, acompanhando passo a passo o dia a dia do clube.

Quais os benefícios que os Jogos do Rio em 2016 podem trazer para alavancar o esporte olímpico do Flamengo?

O Brasil olímpico já está atrasado. A Olimpíada é daqui a sete anos e não se prepara grandes atletas em sete anos, eles já deveriam estar sendo preparados. Com dinheiro, é possível construir instalações em tempo recorde, atletas, não. Conversamos com dirigentes e nosso plano é transformar o Flamengo em um celeiro de preparação com instalações para os atletas. É preciso que existam grandes locais de treinamento, em número muito maior do que nos Jogos Pan-Americanos. Por isso, faremos uma grande transformação na Gávea, aproveitando para preparar atletas para 2016.

Como será tratada a Timemania?

O Flamengo entrou na Timemania e não fez o dever de casa. Não pagou os impostos e perdeu a parceria com a Petrobras. O retorno não foi o estimado, mas a gente tem que cumprir as regras, tentar de novo as certidões negativas.

Como fazer para atrair novos sócios para o clube, pois hoje são pouco mais de 5 mil?

Tudo é custo-benefício. Não é possível um clube com 40 milhões de fanáticos, só ter 5.300 em condições de definir o futuro em uma eleição, sendo que normalmente pouco mais de mil comparecem. Toda Nação deve participar e opinar de alguma maneira. O sócio-torcedor seria implantado em 2007 e não foi. Temos que dar alguma coisa para o torcedor dar retorno. Tem que trazer essa massa para dentro das porteiras do clube.

Quais são os principais projetos de marketing para aumentar a receita do clube?

Primeiramente é preciso fazer um levantamento para saber o que tem de marketing no clube. Ninguém sabe nada sobre os convênios e licenciamentos. A FlaTV foi vendida para os conselheiros como um projeto que renderia R$ 11 milhões por ano e hoje tira receita do clube porque foi mal aproveitada. Tudo vai ser estudado, planejado, com um especialista em cada setor para dar partida nesse processo.

O que pretende fazer com o Ninho do Urubu?

Aquela obra tem que acabar. Se um clube precisa da prata da casa e o lema do Flamengo é que craque a gente faz em casa, então o Ninho do Urubu é peça-chave dessa engrenagem. Temos que olhar com carinho para terminar o Ninho, com um plano de marketing que vai transformar o centro de treinamento em uma receita adicional para o clube.

A sua preferência é por um estádio próprio ou a sua intenção é entrar na licitação do Maracanã?

De imediato, dependendo das condições, não podemos abrir mão da licitação do Maracanã. Mas são três anos sem o estádio e esse tempo é uma vida para um clube. Dentro dos meus planos está a construção de um estádio, que não pode ser para menos de 70 mil pessoas. Se tiver isso, todas as receitas serão do clube. O Flamengo hoje é o filé do Maracanã, mas não fica com o dinheiro, tudo é loteado. Quem sentar para negociar esse contrato tem que pensar que o Maracanã só existe por causa do Flamengo, então o maior beneficiado tem que ser o Flamengo.

Seu planejamento é para um período de três anos ou pensa em reeleição?

Não penso em me reeleger. O mandato é de três anos e o próximo presidente terá a missão de botar o Flamengo no eixo. Uma missão muito árdua, com receitas comprometidas, sem Maracanã. Estou pronto para me dedicar de corpo e alma ao Flamengo. Pretendo endireitar o clube e que venha outro para administrar.

Como pretende trabalhar a memória do clube?

Isso também faz parte do plano de metas da minha administração. Pretendo resgatar os ex-atletas para que voltem a viver no Flamengo, para que sejam exemplo para as novas gerações, são peças importantes em qualquer engrenagem. Essa memória precisa ser resgatada. No momento, não há nada. O museu está atrasado, mas pelo menos vai passar a existir e então vai ser preservada. Já tem até uma pessoa, o Eduardo Vinícius, para participar disso. Ele tem coisas na casa dele que devem ser muito valorizadas, mais de 14 mil itens do Flamengo.

O Andrade vai deixar de ser tapa-buraco e continuar no ano que vem?

O Andrade com certeza continua como técnico. Prata da casa tem total prioridade sobre qualquer nome, em todo setor do clube.

Como o senhor pretende segurar o Adriano?

Aí é que entra a Nação. Com o amor que o Adriano tem pelo Flamengo, temos que fazer o possível para ele continuar no clube, pedir a participação da Nação. Com o Flamengo sendo hexa, a Nação entra e ele fica. A gente já está conversando com muitos empresários, grupos fortes, querendo investir, que não se interessam pelo atual modelo com as pessoas que estão no clube. Vai sobrar dinheiro em vez de faltar, com uma administração pautada em seriedade. Quem é sério consegue seus objetivos.

O senhor pretende convencer o Petkovic a prorrogar a carreira?

Acho que eu joguei basquete até os 38 anos. Chega uma hora em que a cabeça quer jogar, mas o corpo não acompanha. Só uma pessoa pode definir o momento de parar, que é o jogador. Hoje, o Petkovic parece um garoto de 18 anos. Daqui a seis meses, ele precisa dizer se tem condições, pois não vai querer parar mal com o final de carreira que se vislumbra para ele. É um fora de série. Se quiser e disser que tem saúde, continua no ano que vem.

Além de Adriano e Petkovic, qual será a política de contratações para o ano que vem?

A gente tem conversado com pessoas do meio do futebol. Eu ainda não posso falar com o Andrade porque seria antiético, mas é ele quem vai definir o time e as contratações. Quero jogadores que cheguem para jogar e não para ficar sentados. Estamos correndo atrás de alguns foras de série para fazer uma grande surpresa.


 
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